Outubro Rosa

Inteligência artificial vai beneficiar a atenção básica em saúde

Artigo Inteligência artificial vai beneficiar a atenção básica em saúde
Data:

17/09/2021

Para o médico especialista Niklas Lidströmer, conferencista do Global Summit, essa tecnologia vai contribuir com os cuidados de saúde personaizados e aumentar o poder do paciente

Mesmo não nos dando conta, a inteligência artificial (AI) faz parte do nosso dia a dia. Desde a escolha da melhor rota no trânsito até às informações sobre o quadro clínico dos pacientes, registrados nos prontuários eletrônicos, por exemplo.

E é exatamente na saúde que a IA tem um valor ainda maior e tem feito os serviços baseados nessa tecnologia crescer tanto. O Brasil, inclusive, tem um papel de destaque nesse sentido: em 2020, já liderava o mercado na América Latina, com uma representação de 42% de empresas e startups que desenvolvem essa tecnologia.

A expectativa inclusive da Organização Mundial da Saúde (OMS) é contar com a IA para uma prática de maior qualidade, além de desenvolver ainda mais a medicina baseada em evidências e a entrega de valor em saúde.

Na visão de Niklas Lidströmer, médico especialista do Instituto Karolinska, de Estocolmo, na Suécia, e editor-chefe da “Artificial Intelligence in Medicine” (Springer Nature), a atenção primária à saúde é um campo generalista altamente interessante na medicina. E nos próximos anos, esse campo continuará a se beneficiar profundamente da IA ​​na medicina, o que resultará em mudanças positivas na vida cotidiana dos pacientes.

Niklas ministrará a conferência internacional “Inteligência Artificial na Atenção Básica à Saúde” (“Artificial Intelligence in Primary Healthcare”), na 3ª edição do Global Summit Telemedicine & Digital Health, que será de 9 a 12 de novembro, em formato virtual,

“O conhecimento médico especializado chegará aos ambientes de atenção primária, alterando profundamente todo o sistema de referência e suas indicações. Os domínios especializados serão distribuídos ampla e remotamente, à medida que os avanços científicos atingirão os pacientes de cuidados primários e médicos com mais frequência, rapidez e precisão, inclinando, assim, o equilíbrio de dependência na relação médico-paciente”, explica Lidströmer.

Para o médido, os cuidados de saúde personalizados e de precisão chegarão a todas as clínicas e pacientes, e em nenhum lugar será tão óbvio como no ambiente de cuidados de saúde primários.

“A IA na atenção primária também irá acelerar a teranóstica (ramo da investigação clínica que se dedica ao desenvolvimento de métodos individualizados de diagnóstico que possibilitem a seleção de respostas terapêuticas específicas para cada caso) da doença, o que terá impacto nas decisões de manejo. O apoio à decisão será abundante para o clínico geral e o paciente verá um aumento do seu poder à medida que ele se torne mais ativo, bem-informado e independente na descoberta de informações e no aprendizado sobre sua própria doença”, informa o especialista. O que, segundo Lidströmer, é uma tendência que já ocorreu na maioria das economias desenvolvidas e que, provavelmente, continuará nas economias emergentes, por meio de plataformas mHealth, alimentadas por inteligência artificial, graças ao aumento das tecnologias dos smartphones.

Muitas áreas da atenção primária estão entrando em uma revolução. O médico especilaista sueco comenta que a farmacogenômica mudará profundamente a forma como se prescreve os medicamentos. Todos os tipos de reconhecimento de padrões em especialidades baseadas em imagens irão essencialmente fortalecer sua presença na clínica de atenção primária: radiologia, variando de raios X planos a ultrassonografia, dermatologia, patologia e partes de oftalmologia e inspeções escópicas, onde outros reconhecimentos de padrões de imagem podem ser expandido ainda mais. Além disso, a psicoterapia interpessoal, os acompanhamentos e a conformidade serão blindados com componentes de vigilância, treinamento e instrução.

“Na verdade, na atenção primária à saúde, toda a sinfonia da intelgiência artificial médica alcançará seu ‘tutti’ crescente e, eventualmente, a confluência energética de todas as linhas temáticas – incorporando a “arte total’ da IA ​​na medicina”, acredita Lidströmer.

Mais medicina profunda e empatia

A quarta revoução industrial que vivemos, segundo o médico especilista sueco, será conhecida como a era da inteligência artificial, pois na medicina, somente na área da saúde, contribuirá para a economia mundial com 14 trilhões de dólares na próxima década.

“Veremos um crescimento anual de 40% neste setor. A IA em medicina traz tantas ferramentas ao mercado, que vai facilitar a telemedicina e a saúde digital e trazê-las a novos níveis antes impensáveis”, afirma Lidströmer.

Para o conferecnista internacional do Global Summit, o que ele vê é o ecossistema de saúde com uma inclinação no equilíbrio, uma mudança na relação médico-paciente.

“Os pacientes ficarão mais preparados e independentes. Os sistemas de apoio à decisão serão abundantes e haverá um aumento maciço em cuidados de saúde personalizados de precisão e farmacogenômica, onde os genes eventualmente entrarão na medicina em um novo poder decisivo, bem como outros OMICS (por exemplo, o microbioma intestinal), embora haja a necessidade de um ‘humano no circuito’, sempre. Acredito que esse humano será o clínico geral do paciente e a equipe de cuidados primários. Haverá espaço para mais ‘medicina profunda’, raciocínio profundo, medicina precisa e pessoal e, eventualmente, a entrada de profunda empatia”, garante Lidströmer.

Como editor-chefe do maior e mais abrangente manual de referência padrão do mundo em IA na medicina, juntamente com o Hutan Ashrafian – um dos maiores especialistas em inteligência artificial do Reino Unido em medicina -, com 130 capítulos publicados, cobrindo todas as áreas e especialidades médicas, clínicas e pré-clínicas, Lidströmer diz ser, para ele, óbvio que há uma necessidade não atendida e que o Global Summit Telemedicine & Digital Health não poderia acontecer em melhor momento.

“Os próximos anos estarão se desenvolvendo exponencialmente com as áreas de telemedicina e saúde digital. Esses campos entrarão literalmente em todas as áreas da medicina e se tornarão padrão em todos os lugares. Eles trarão uma revolução científica, baseada em evidências, e a distribuirão em mercados em desenvolvimento, áreas do globo até então desconhecidas por profissionais médicos”, esclarece o médico.

Além de sua conferência, Lidströmer será moderador do painel internacional “Inteligência Artificial em Saúde” (“Artificial Intelligence in Health”), um debate com três grandes especialistas globais: Yonina C. Eldar, PhD, professora do Departamento de Matemática e Ciências da Computação do Instituto Weizmann de Ciência, de Rehovolt, em Israel, e Head Center para Engenharia Biomédica, da Faculdade de Matemática e Ciência da Computação, do mesmo Instituto; Bart M. ter Haar Romeny, PhD, professor emérito em Análise de Imagens Biomédicas, do Departamento de Engenharia Biomédica, da Universidade de Tecnologia de Eindhoven, na Holanda; e Eric Herlenius, PhD, professor de Pediatria e consultor sênior do Departamento de Saúde da Mulher e da Criança, no Instituto Karolinska.

“Eles fornecerão um prato muito variado de idéias iniciadas, ensinamentos e lições. É uma honra participar do Global Summit”, finaliza Lidströmer.

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