Capacidade de tratar pela telemedicina oferece mais cuidados em saúde mental

Artigo Capacidade de tratar pela telemedicina oferece mais cuidados em saúde mental
Data:

28/06/2022

Peter Yellowlees, keynote speaker da 4ª edição do Global Summit Telemedicine & Digital Health, afirma que a saúde digital amplia o acesso e proporciona cuidado adequado e de mais qualidade

De acordo com dados da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), o mundo atravessa, com a pandemia de Covid-19, uma crise generalizada de saúde mental, onde quase 1 bilhão de pessoas vivem com algum tipo transtorno mental, sendo que 3 milhões de indivíduos morrem todos os anos devido ao uso nocivo do álcool e uma pessoa vem a óbito a cada 40 segundos por suicídio.

A tecnologia, aplicada na prática da telemedicina e da telessaúde, tem auxiliado no tratamento das questões de saúde mental, e a modalidade da telepsiquiatria vem se mostrando altamente eficiente nesse cenário.

O debate sobre o tema é muito relevante e terá destaque na 4ª edição do Global Summit Telemedicine & Digital Health, que será realizada de 4 a 6 de outubro, em São Paulo, no Transamerica Expo Center, parceiro da Associação Paulista de Medicina (APM), na realização do evento.

O psiquiatra Peter Yellowlees, diretor de Bem-Estar na University of California Davis Health (EUA), Allan Stoudemire Distinguished Endowed Professor of Psychiatry e ex-presidente da American Telemedicine Association (ATA), será o keynote speaker do Global Summit 2022 e fará a conferência internacional “The new normal in mental health — hybrid care and telepsychiatry” (“O novo normal em saúde mental — cuidados híbridos e telepsiquiatria”) na abertura do evento.

“O cuidado psiquiátrico mudou em muitos países como resultado da pandemia do novo coronavírus. Médicos, profissionais de saúde e pacientes aprenderam a fornecer e receber cuidados por vídeo. E como a tendência dos pacientes é buscar pelos cuidados com a saúde como uma jornada, isso nos leva ao atendimento híbrido, uma abordagem de relacionamento que consiste em atendimento presencial e on-line”, explicou Yellowlees.

Para o presidente do Global Summit, o neurologista Jefferson Gomes Fernandes, a saúde mental é uma das áreas da telemedicina e da telessaúde que teve um crescimento exponencial em todo o mundo nos últimos dois anos. No Brasil, o atendimento e acesso aos cuidados de saúde mental precisam ser expandidos.

“Por isso, é muito importante trazer o conhecimento e a visão de futuro do professor Peter Yellowlees — um psiquiatra renomado, com um vasto currículo em telessaúde mental e telepsiquiatria e um dos grandes nomes da área, com publicações importantes —, para mostrar o potencial de desenvolvimento e crescimento que  serviços de telessaúde mental tem em nosso país, principalmente para atender às pessoas no Sistema Único de Saúde. Estas têm uma enorme dificuldade de acesso a tratamentos para seus problemas emocionais”, destacou Fernandes.

Na entrevista a seguir, Yellowlees comenta sobre a relevância em debater e abordar as questões de saúde mental, de prover o acesso ao atendimento e aos tratamentos nesta área, como a pandemia pode ter piorado a realidade sobre os transtornos mentais e sobre sua participação do GS2022. Acompanhe!

A edição 2022 do Global Summit Telemedicine & Digital Health será especial, pois marca a retomada do evento presencial, a expansão do mercado de saúde digital no Brasil e a regulamentação da telessaúde no país. Como o dr. vê sua participação como keynote speaker do evento?

Estou com uma grande expectativa de participar pessoalmente do Global Summit. Sinto-me honrado por ser convidado a apresentar uma conferência sobre o futuro da telepsiquiatria e num painel sobre os impactos adversos da Covid e as mudanças em nosso bem-estar como médicos e como a telemedicina pode os mitigar.

O dr. apresentará no GS2022 a conferência internacional de abertura “The new normal in mental health — hybrid care and telepsychiatry” (“O novo normal em saúde mental — cuidados híbridos e telepsiquiatria”). Qual a importância de debater este tema?

O cuidado psiquiátrico mudou substancialmente em muitos países, como resultado da pandemia. Somente nos EUA mais de 25 milhões de pacientes por ano já estão sendo atendidos virtualmente, principalmente em suas casas. Muitos deles estão sendo tratados presencialmente ou on-line, ou seja, de forma híbrida. Médicos e outros provedores de saúde mental aprenderam a atender através da teleconsulta e muitos pacientes acham isto mais conveniente do que ir a um consultório.

A tendência é que os pacientes busquem cuidados à saúde como uma jornada, o que nos leva aos cuidados híbridos e parece que estes cuidados se tornarão permanentes em muitos países.

Como a telepsiquiatria pode ajudar nas questões dos transtornos mentais diante do cenário em que vivemos de retomada das atividades, ainda mais com a presença da Covid-19?

A telepsiquiatria é a prova que vivemos em uma época de avanços tecnológicos, que têm contribuído para um desenvolvimento da medicina. Novos modelos de exames, cuidados cirúrgicos e procedimentos têm modificado a medicina tradicional. E  tecnologias, como a telemedicina, tem justamente como objetivo promover ideais que possam aperfeiçoar a conduta da profissão médica e também a saúde física e mental dos seres humanos.

É nesse contexto que a telepsiquiatria vem se mostrando altamente eficiente. Nesse novo cenário, a utilização do atendimento híbrido (presencial e on-line) pode se tornar permanente para muitos pacientes e médicos, oferecendo comodidade e melhor bem-estar para ambos.

Mesmo antes da pandemia, já vivíamos uma epidemia de problemas de saúde mental em todo o mundo. Na sua opinião, como devemos enfrentar esse problema global?

A pandemia de Covid-19, infelizmente, está sendo seguida por uma pandemia mundial de problemas de saúde mental, com taxas aumentadas de depressão, ansiedade e transtornos por abuso de substâncias, como álcool e drogas ilícitas. Da mesma forma, tem havido altos níveis de alterações comportamentais nos domicílios, como violência doméstica, abuso sexual e outros traumas, e o uso excessivo das redes sociais. O primeiro passo para tratar esses problemas é reconhecer que eles existem e coletar boas informações para apoiar a necessidade de mais serviços de saúde mental apoiados por tecnologias domiciliares.

Qual a importância da telemedicina, da telessaúde e da saúde digital no enfrentamento das questões de saúde mental?

Primeiramente, porque a maioria dos pacientes gosta de receber cuidados desta forma em suas próprias casas ou comunidades. É mais conveniente, privado e menos provável de ser estigmatizante que ter de visitar uma clínica de saúde mental. Neste aspecto, a assistência a distância proporciona a expansão do acesso aos cuidados com a saúde mental.

O dr. também ministrará no GS2022 a palestra “Telemedicine and clinical well-being — Global impacts of Covid and climate change” (“Telemedicina e bem-estar clínico –Impactos globais da Covid e das mudanças climáticas”), no painel internacional. Na sua opinião, quanto a Covid-19 impactou os problemas de saúde mental? E o quanto a telemedicina pode ajudar no processo de bem-estar clínico?

Sabemos que a telemedicina é boa para o bem-estar dos pacientes, médicos e profissionais de saúde, e leva a um cuidado mais conveniente, privado e, muitas vezes, mais barato e mais acessível. As mudanças climáticas e a Covid-19 estão associados ao aumento de problemas de saúde mental em nossas comunidades. A capacidade de avaliar e tratar pacientes usando a telemedicina nos permitirá oferecer mais cuidados e tratamentos a quem necessita dessa assistência.

Na sua opinião, qual a relevância da telemedicina, telessaúde e saúde digital para o ecossistema da saúde?

Com o teleatendimento e todas as possiblidades da saúde digital estamos dando aos pacientes e aos médicos mais acesso a informações e tratamentos, e a flexibilidade para oferecer um cuidado adequado e de melhor qualidade a todos. Tudo isso é importante para que o ecossistema da saúde mude e foque mais no cuidado na comunidade e no domicílio, e menos nos hospitais. Isso é possível, com o suporte das tecnologias.

Muitos sistemas de saúde estão mudando agora para modelos híbridos de cuidado, frequentemente com uma “porta de entrada digital”.  Nessas situações, as abordagens digitais para o cuidado são as intervenções introdutórias e continuam até que algumas intervenções presenciais sejam necessárias, e depois continuam para o seguimento dos pacientes.

Para o dr., qual a importância de promover um evento como o Global Summit Telemedicine & Digital Health?

A relevância da telemedicina e da saúde digital está em mudar a forma de prestação dos cuidados de saúde. Por isso, é importante passar essa mensagem aos pacientes, médicos, provedores e governos. O Global Summit é uma grande oportunidade para todos aprenderem uns com os outros a melhor forma de cuidar, em toda a América Latina.

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