Soluções em saúde digital contribuem para a melhora da saúde mental dos colaboradores

Artigo Soluções em saúde digital contribuem para a melhora da saúde mental dos colaboradores
Data:

14/04/2022

Psiquiatra Luiz Gustavo Zoldan, do Hospital Israelita Albert Einstein, destaca que tecnologia promove acesso à assistência médica e psicológica

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) instituiu, desde 2003, o dia 28 de abril como o Dia Mundial de Segurança e Saúde no Trabalho. No Brasil, a lei federal nº 11.121/2005 definiu a data como Dia Nacional em Memória das Vítimas de Acidentes do Trabalho, para manter sempre viva a importância da prevenção e do cuidado durante o exercício do trabalho

A saúde no contexto das organizações sempre foi uma questão relevante. Entretanto, por muito tempo o enfoque estratégico foi pautado na oferta de tratamento de doenças, por seguradoras e planos de saúde. Com a evolução da legislação, a saúde ocupacional começa a tornar-se uma solução para as revisões de saúde. Porém, segundo Luiz Gustavo Vala Zoldan, psiquiatra e head do Programa de Saúde Mental do Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE), percebeu-se que ela não se faz suficiente, pois, mais uma vez pauta-se na doença e não no bem-estar físico e mental.

“Atualmente  compreendemos que as ações de saúde nas organizações devem pautar-se não somente na doença, mas na prevenção dela, na promoção de saúde e um estilo de vida mais saudável aos colaboradores. Esse tipo de atitude é que garante que os profissionais possam permanecer mais saudáveis, ter menos necessidade de acionamentos do sistema de saúde e maior satisfação com o trabalho e qualidade de vida”, explica Zoldan.

Para ele, acionar o protagonismo em saúde dos colaboradores e colocar a saúde como pauta estratégica nas empresas são o que irão levar a uma mudança de cultura positiva nesse cenário complexo em que, de acordo com pesquisa de Stanford, aproximadamente 120 mil mortes/ano nos EUA estão relacionadas ao estresse no trabalho.

Durante a pandemia de Covid-19, as questões que envolvem a saúde mental passaram a chamar mais a atenção das empresas.

O acúmulo de estresse, insegurança, medo e necessidade de adaptação a mudanças, segundo o psiquiatra, deixaram as pessoas mais vulneráveis à experimentação de sintomas psiquiátricos e desenvolvimento de transtornos, já que estes são multifatoriais e influenciados pelo meio em que vivem. Pesquisam apontaram um crescimento de 25% no diagnóstico de depressão, por exemplo. Também se observou maior procura por serviços médicos devido à intoxicação por álcool e outras drogas e o aumento de 24% nas vendas  de antidepressivos e ansiolíticos no primeiro ano da pandemia.

Os transtornos mentais que mais acometem os trabalhadores no Brasil, de acordo com Zoldan, são a ansiedade generalizada e o transtorno de pânico, assim como a depressão, e com a pandemia as taxas de transtorno de estresse pós-traumático vem crescendo. Acredita-se que com o reconhecimento da síndrome de Burnout como fenômeno ocupacional esse diagnóstico passe a aparecer com maior frequência.

Mas um fator que causa preocupação ao psiquiatra do HIAE é que o acesso aos cuidados de saúde mental no país é insuficiente. Em estudo recém-publicado na revista “The Lancet Psychiatry” evidencia-se que apenas 27% da população com depressão tem acesso a cuidados de saúde mental em países de baixa renda. O Brasil, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), é o país mais ansioso do mundo e o segundo mais deprimido das Américas. No mundo são mais de 615 milhões de pessoas sofrendo por ansiedade e depressão, o que gera mais de US$ 1 trilhão em perdas de produtividade. De acordo com levantamentos de 2019 e 2020, realizados pela B2B com mais de 300 mil colaboradores, os transtornos mentais são a segunda maior causa de afastamento no Brasil e estima-se que em breve irão superar a primeira causa que são as doenças osteomusculares.

E o home office em meio a pandemia pode ter contribuído para a piora desse cenário.

“Muitos relataram melhora da qualidade de vida, principalmente pelo ganho de tempo relacionado ao deslocamento e poder compartilhar momentos agradáveis em casa. Entretanto, muitos não tinham estrutura para realizar o trabalho remoto e apresentaram dificuldades de adaptação, piora da concentração e falta de convívio com os colegas de trabalho, tornando esses profissionais vítimas de um ‘isolamento de informação’”, explica Zoldan, que acredita haver  muito que as empresas podem fazer para ajudar seus colaboradores.

Estratégias

Parar de acreditar que a solução seja oferecer benefícios isolados não integrados à estratégia de saúde da organização e criar uma governança de saúde mental e bem-estar na empresa são os primeiros passos.

“A discussão da saúde mental deve estar na pauta estratégica das organizações e não como mais um benefício. É preciso existir uma cultura que privilegie o autocuidado. O C-level tem de  compreender a importância de se oferecer saúde aos colaboradores e que se trata de uma negociação ‘ganha-ganha’: ganha o colaborador mais saudável e satisfeito com sua qualidade de vida e ganha a empresa que terá redução de custos com turnover (taxa de rotatividade de funcionários), treinamentos, sinistralidade, absenteísmo e presenteísmo”, destaca o psiquiatra.

Ações de saúde mental, salienta o médico,  podem inclusive elevar a reputação da empresa, vista por seus colaboradores como mais humana e preocupada com a sustentabilidade não apenas do negócio, mas das pessoas que o compõe. Assim, o letramento das lideranças em relação ao tema é essencial.

Na opinião do psiquiatra do HIAE, a saúde digital pode contribuir e muito na melhoria da saúde mental dos profissionais. Primeiramente, garantindo acesso aos cuidados médicos e psicológicos.

“Em um país com tão pouca mão de obra especializada como o nosso, o recurso tecnológico pode auxiliar no escalonamento das ações. Além de garantir o acesso, a tecnologia pode nos auxiliar a fazer o gerenciamento de casos, garantir a adequada coleta e organização dos dados, para compreendermos melhor a realidade das pessoas, assim como melhorar a integração entre diferentes serviços, facilitando a navegação do usuário por todo o sistema de benefícios e saúde de uma organização”, destaca Zoldan.

Seguindo este importante movimento, muitas soluções digitais, como pronto atendimento digital e plataformas de serviços de telepsicoterapia, podem reforçar ainda mais o cuidado, o bem-estar e a segurança dos colaboradores.

Muitas empresas e startups referências em soluções de saúde digital para empresas e operadoras de saúde estarão na 4ª edição do Global Summit Telemedicine & Digital Health, que será realizada de 4 a 6 de outubro, no Transamerica Expo Center, parceiro da Associação Paulista de Medicina (APM) na promoção do evento.

Zoldan ressalta que a chave para um bom cuidado à saúde mental dos colaboradores está também na gestão participativa.

“Ouvir as pessoas da empresa e valorizar suas opiniões; treinar as habilidades sociais delas; protegê-las oferecendo um ambiente de promoção de saúde com pausas adequadas, segurança e alimentação saudável; cuidar delas e de suas famílias e, principalmente, honrar seu trabalho, agradecendo e comemore pelos feitos, assim como desestigmatizando as falhas, podem auxiliar grandemente no aumento da esperança, autocompaixão e senso de autoeficácia, essenciais para o aumento do capital psicológico das organizações”, finaliza.

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