Superintendente da ABIMO media painel no Global Summit Telemedicine & Digital Health 2021

Artigo Superintendente da ABIMO media painel no Global Summit Telemedicine & Digital Health 2021
Data:

17/11/2021

Paulo Henrique Fraccaro debate com especialistas do setor. Temas como transformação da saúde, uso de Inteligência Artificial e integração de dispositivos nas UTI´s foram abordados

A ABIMO – Associação Brasileira da Indústria de Dispositivos Médicos – participou no dia 10 de novembro, do Global Summit Telemedicine & Digital Health 2021, o mais relevante evento em telemedicina e saúde digital da América Latina. O evento, realizado em formato virtual, tem papel fundamental em reunir os principais líderes do setor de saúde para discutir suas transformações, cenários e perspectivas futuras.

Paulo Henrique Fraccaro, superintendente da ABIMO, mediou o “Painel Nacional – ABIMO e ABIMED”, que teve entre os participantes Aldenor Martins, CEO da Signove; Cleidson Cavalcante, pesquisador colaborador do Hospital das Clínicas e da Universidade de São Paulo (USP); Lucas Câmara, diretor executivo do Centro da C4IR Brasil; e Manuel Coelho, head de inovação para América Latina da Siemens Healthineers.

“Temos um grande desafio de usar a tecnologia para levar saúde de qualidade para todos os cantos do Brasil. Por isso, mediar um debate de tão alto nível foi uma excelente oportunidade para entender os desafios de quem sente as dores do nosso sistema e busca na inovação a solução para os problemas”, destacou o Fraccaro.

Sedação deve ser a última escolha

Em sua apresentação, Cleidson Cavalcante falou sobre o impacto da integração de informações na oferta de tratamentos oferecido aos pacientes. Segundo ele, ter uma base de dados sólida impacta, inclusive, na diminuição da ocupação de leitos hospitalares – um dos principais gargalos do Sistema Único de Saúde (SUS). Para o pesquisador da USP, a mortalidade em UTI é de 66% no SUS, o dobro do registrado em hospitais privados.

“O custo médio de um paciente, que era de R$ 50 mil, agora já chega a R$ 100 mil reais. Por conta das características da Covid que demandou a adoção de procedimentos não tão comuns nas UTI´s até então, observamos que a utilização de sedação e anestésico cresceu, em detrimento do estímulo à reação natural do paciente. A sedação deveria ser a última escolha porque ela pode aumentar o tempo de internação e nem sempre é a solução mais adequada”, ponderou.

Para ele, é preciso investir em tecnologia para melhor gestão da ocupação de leitos. “O número de mortes em UTI já era alto mesmo antes da Covid. E vai continuar alto no futuro se não investirmos em melhorias. E mudar esse quadro passa, principalmente, pela integração dos dados de leitos”, afirmou.

Integração de dispositivos médicos em UTIs

Aldenor Martins destacou a importância do investimento em tecnologia que permita que o paciente seja observado remotamente. Para isso, segundo o especialista, é necessário desenvolver um projeto de estruturação das informações médicas do paciente, mas que também possa auxiliar como documentação comprobatória dos procedimentos adotados pelo hospital. “É preciso ter um dispositivo que seja estruturado e fidedigno nas informações, que englobe o armazenamento de dados e o consentimento do paciente e que permita envio das informações do leito para um local remoto. Seria uma forma efetiva da relação entre hospitais e planos de saúde ser mais saudável. Aqui, o objetivo não é vigiar, mas auxiliar a análise das condições clínicas do paciente, permitindo a adoção do melhor procedimento”, ressaltou. Aldenor lembrou que, durante a pandemia, as enfermeiras precisavam se paramentar diversas vezes para entrar e sair de leitos com pacientes contaminados, e que com o uso da tecnologia, seria possível direcionar condutas e reduzir tal exposição, evitando assim gastos desnecessários com EPI´s hospitalares.

Uso de inteligência artificial

Já Lucas Câmara abordou a transformação digital na Indústria, enfatizando que a velocidade da informação irá aproximar médico e paciente. Para ele, a integração de dados é fundamental para que o paciente tenha um acompanhamento contínuo na atenção básica de saúde, mesmo depois da alta hospitalar.

“A quarta revolução industrial vem para derrubar fronteiras. É preciso sair da zona de conforto para entregar resultados na ponta. Claro que sempre utilizando a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), pois o paciente é dono dos dados. Mas com segurança é possível atender melhor e ter acesso a novas tecnologias”, disse.

Transformações digitais

Representando a ABIMED, Manuel Coelho, debateu a transformação digital no diagnóstico por imagens, com ênfase na inteligência artificial e no aprendizado das máquinas. Para Coelho é fundamental que exista um elo de todos os atores envolvidos, que tenha sempre o paciente como protagonista. Assim, será possível alcançar avanços tecnológicos decisivos para o prognóstico do paciente.

Questionado se profissionais de saúde que não dominem as tecnologias ficarão à deriva com os avanços, Coelho alertou: “Nunca ninguém terá domínio da tecnologia. Quando alcançamos uma, já chega uma nova, mais completa. Mas o profissional que ignorar a importância desses avanços ficará defasado.”

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